Marta Roseli P. da Silva

 

Dossiê de Inclusão

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04/07/09: Referentes a unidades 6 e 7

a-Quais as práticas pedagógicas inclusivas possíveis de serem efetivadas em sala de aula com o sujeito escolhido por você para o estudo de caso?

Trabalhar com o Rafael e incluir ele dentro das práticas no Laboratório de informática é algo real e fácil de aplicar, porque ele trabalha bem em grupo e entende o que é pedido para ser feito, também se expressa bem oralmente e pergunta quando não entende algo. Claro que é preciso lembrá-lo das ferramentas que serão utilizadas a cada aula que comparece, quando os professores agendam, porque ele esquece e também são muitos softwares que os professores podem escolher. O que precisa acontecer é uma conscientização onde os professores titulares desenvolvam mais a  flexibilidade para responderem aos desafios de apoiarem os alunos com dificuldades, com o compromisso de fazer o ensino inclusivo acontecer, com espontaneidade e a coragem de assumirem os riscos, trabalhando em equipes, desenvolvendo novas habilidades, porque percebo que o Rafael recebe um atendimento diferenciado, mas é nas respostas das questões e não no desenvolvimento da sua aprendizagem, não percebo uma real pesquisa de como ele aprende, por qual caminho deve-se tentar encaminhar a aprendizagem para despertar a vontade de seguir a diante. Acontece sim uma explicação diferenciada, como acontece para os alunos que também não entendem as explicações quando o professor a dá no geral (explicação da matéria nova).

b- De que maneira(s) a presença  de alunos com NEEs no ensino comum pode contribuir para a facilitação das aprendizagens da turma como um todo?

Acho importantíssimo os alunos com NEES estarem inseridos no ensino comum, porque  assim os alunos “normais” aprendem a lidar e aceitar com  maior facilidade as diferenças, não vêem o aluno com necessidade especial como um “doente”, mas sim como um colega que precisa de uma ajuda especial, que está na sala de aula junto com ele e é seu colega , e que ele mesmo pode auxiliá-lo, que ele é uma criança normal, como qualquer outra , só que diferente em algum aspecto físico, ou mental, mas que existe tratamento e que tem direito de estar na escola, e que pode aprender, de uma maneira diferente, mas que tem condições de aprender e interagir com os colegas. Para o aluno com NEES estar no ensino comum trás benefícios porque ele aprende a se sociabilizar, a estar entre outras crianças da sua idade, a entender limites, a respeitar a vez dos outros e saber que também terá sua vez de ser atendido, assim terá uma rotina que as vezes não tem em casa, aprenderá a ter hábitos.

 

Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?Quais as contradições em relação ao que foi observado?Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?

Avaliação é sempre motivo de discussão e cada vez mais é preciso discutir esse assunto. Nas conversas que tive com os professores do Rafael a maioria me disse que a  avaliação dele era diferenciada do restante da turma, porque ele é avaliada continuamente e mais oralmente, mas mesmo assim também realiza trabalhos , faz as provas   e lhe e dado conceitos I (insatisfatório), S (satisfatório), MS (muito satisfatório) é assim que os alunos da rede municipal de São Leopoldo são avaliados , por conceitos e por parecer descritivos. Não adianta a avaliação ser contínua, participativa, diagnóstica e investigativa se no final o que conta são os conceitos, os registros, é obrigatório ter os registros, porque é preciso provar a nota do aluno para o responsável que vier questionar o porque do seu filho(a) não ter alcançado os objetivos, por isso não basta só o parecer , falando, descrevendo como está o aluno no seu processo de ensino-aprendizagem.

Sabe-se que cada aluno aprende do seu modo formando suas hipóteses e ele também deve ser avaliado conforme seu crescimento, seu entendimento, por isso a avaliação não pode ser padronizada, mas infelizmente não é isso que temos nas escolas, mas felizmente, cada vez mais, estão ocorrendo trabalhos em grupos, provas com consultas, produções de textos onde o aluno coloca suas opiniões sobre determinado assunto, assim o professor consegue avaliar individualmente a compreensão do seu aluno, e fica o registro.

A avaliação feita no município de São Leopoldo não dá  conta das possibilidades e competências do sujeito observado e também dos outros alunos da rede por que como consta no texto Pedagogicamente a avaliação da aprendizagem, na medida que estiver pautada na idéia de medição dos conhecimentos “adquiridos” pelos alunos, não cumprirá a sua função de subsidiar a busca pela melhoria do ensino e da aprendizagem”( Christofari, 2006,p.14)

 

 

No caso do Rafael, percebo após ler o parecer descritivo dele que ele atingiu os objetivos mínimos do trimestre, mas o que mais lhe prejudicou foi o comportamento, porque infelizmente não está recebendo atendimento no contra-turno e não está conseguindo lidar com a sexualidade que está aflorando, afinal está com 19 anos,  já diz que gosta, que quer namorar, repete brincadeiras que os outros fazem com eles, que não são pertinentes, e não tem com quem conversar sobre isso, porque a família não é presente.

 


Final de Trimestre - pareceres sobre o Rafael


         PARECER DESCRITIVO

 boletim entregue em 26/06/09

 

Nas disciplinas de Português e História o aluno não demonstrou muito interesse, deve prestar mais atenção nas aulas, principalmente nas explicações, procurar realizar as atividades sozinho para depois sanar suas dúvidas, registrar todos os conteúdos no caderno com capricho e mais organização, pois esquece as aulas com facilidade.Todas as suas atividades e avaliações são feitas com consulta,bem como os demais colegas de sua classe  podendo utilizar o  caderno,portanto esse deve estar completo.Evite conversar e brincar nas aulas e procure se dedicar mais.

Nas aulas em que obteve um conceito satisfatório o aluno atingiu os objetivos demonstrou-se comprometido realizando as atividades e entregando trabalhos, porém deve procurar ser mais caprichoso e evitar as conversas e brincadeiras desnecessárias, pois isso está atrapalhando o seu rendimento.

O aluno atingiu parcialmente os objetivos da disciplina de Educação Física. Teve dificuldade de compreender as regras básicas do Futsal, deixou de entregar um trabalho  e participou pouco das aulas práticas. Deverá se concentrar nos estudos, pois tem condições de realizar todas as tarefas solicitadas e também deve participar mais das aulas práticas.

Em Ciências, o aluno atingiu parte dos objetivos essenciais trabalhados no trimestre,  foi comprometido com suas tarefas e  trabalhos realizados em sala de aula.

O aluno apresentou um desempenho médio e satisfatório na assimilação dos conteúdos do trimestreem Artes. Embora tenha executado os jogos teatrais e elaborado cenas conforme as temáticas apresentadas pelo professor deve se comprometer mais com as atividades em aula. Sua consciência com relação ao corpo no espaço do palco pode melhorar basta ter mais concentração e buscar esclarecimento das dúvidas. Precisa melhorar o comportamento no ambiente escolar e mais estudo para que assim possa obter um conceito melhor.

Em matemática, neste final de trimestre o aluno teve dificuldades na organização das expressões algébricas. O aluno precisa acompanhamento separado para atingir os objetivos (tem dificuldades para a interpretação dos exercícios, porém tem iniciativa em realizá-los). Seu comportamento precisa melhorar, diminuindo as brincadeiras com os colegas . Apesar de suas limitações, o aluno atingiu os objetivos do trimestre em matemática.

Em geografia, obteve rendimento satisfatório. Falta-lhe mais dedicação com as atividades e tarefas propostas. Dificuldades de entendimento acentuadas. Apresenta grande problema de comportamento durante as aulas.

O Rafael relaciona-se bem com os colegas e professores quando está afim, nem sempre ele respeita. Evite falar palavrões em sala de aula. Tem condições de render mais levando mais a sério os estudos.


Realizado por: Prof. Luiz F.– Geografia /  São Leopoldo, 23 de junho de 2009.

            O aluno Rafael apresenta durante as aulas grande dificuldade de entendimento dos conteúdos ou das tarefas que são solicitadas. É bastante disperso nas aulas e grande parte destas dificuldades se devem a este fato.

         Conversa muito durante as aulas, fica muito bravo por qualquer provocação que lhe é feita e as leva a sério, onde ele discute com seus/suas colegas a fim de tirar satisfação e enquanto isto perde explicações dos conteúdos trabalhados. Mesmo ele não sendo provocado, acaba por puxar conversa com algum colega mais próximo, o que também o prejudica em sua aprendizagem. Costuma trocar várias vezes de lugar, ora sentando-se na frente ora sentando-se ao fundo da sala para conversar com alguém que lhe interessa conversar.

         Realiza a maioria das tarefas propostas, mas falta qualidade em algumas, pois deixa para realizar na última hora ou por não ter prestado atenção no que era para realmente ser feito acaba entregando tarefas fora do contexto do que foi solicitado.                                         


17/06/09:

 

Está semana tive que substituir na turma do Rafael, era aula de inglês, a professora havia deixado plano, passei-o no quadro, a maioria da turma copiou, mas só alguns realmente resolveram  fazer as atividades.  O  Rafael   demorou muito para copiar as atividades, conversou alto, chamou a atenção, ficou falando palavras vulgares, fez brincadeiras maliciosas e riu muito,fazendo graça para os outros colegas. Também colegas de outras turmas brincavam e chamavam seu nome pela janela do corredor , mesmo eu chamando a atenção dele e dizendo que era pra parar , ele me ouvia e  pedia desculpa , mas continuava fazendo.  Os colegas relataram que é sempre assim, que ele gosta de ser o centro das atenções , um dos alunos que passava no corredor e mexeu com o Rafael me perguntou se ele tinha problema, e complementou, que ele tinha sim, mas que ele incomodava bastante também.

O engraçado é que ele quando conversa com funcionários e professores em particular nos corredores, não demonstra esse comportamento, ele sabe quando está certo ou errado e conversa assuntos do seu cotidiano, sem fazer gracinhas. Ele sente muita necessidade de conversar, gosta de estar na escola , de saber que faz parte de um grupo, de saber que esta tendo atenção.

A família do Rafael não é presente na escola e existe boatos dele apanhar em casa e até de já ter sofrido abuso este ano, isso não foi confirmado, mas aconteceram comentários, foi conversado com a família e com o aluno e avisado o Conselho Tutelar


15/06/09: Conversei com os professores dos anos anteriores do ensino fundamental ( os que ainda estão na escola), sobre o Rafael, e o que ouvi é que ele sempre foi diferente, que demorava mais que os outros colegas , mas que se enquadrava dentro do conceito S (satisfatório), pois demonstrava  progresso no decorrer do ano letivo, sempre foi esforçado.

Já os professores da área, ouve muito rodízio então ficou difícil conseguir ter  opiniões. Resolvi conversar com o proprio Rafael e pedir para ele os boletins dos anos anteriores, mas ele disse que não tem nada guardado, que a avó (falecida) guardava, mas a mãe jogou tudo fora, e que depois da quinta série não é mais boletim é só folha, daí ele não guarda, nem a mãe.

Estou aguardando os pareceres deste primeiro trimestre dos professores atuais para postar .  


 

27/05/09: Após o comentário da tutora Letícia tentarei responder aos colocações listadas abaixo;

 

  • trabalho da rede em relação aos casos de inclusão na escola, a política de inclusão dentro do ambiente escolar;

Percebo que pessoas que trabalham no NAPPI quando são chamadas na escola comparecem e ficam em reunião com a supervisão, professores do aluno em questão ( no caso o NAPPI é bastante solicitado pela mãe do aluno cadeirante) e responsável do aluno.  Nornalmente quando vai algum representante do NAPPI também é costume ser chamado outros professores que tem inclusão na sala e ue os alunos são atendidos pela rede para conversarem e ver como esta  o aluno ou aluna em sala de aula.

 

A visão do NAPPI e do professor é bem diferente, não existe uma integração, porque  no atendimento no contra-turno o aluno reccebe atendimento individual, então a resposta que ele dá é diferente da que o professor recebe na sala de aula, infleizmente o  pssoal do NAPPI não dá um assessoramento para dentro da sala de aula, onde o  professor tem a inclusão que é atendida porque recebeu a vaga e tem outras que infelizmente não conseguiram vaga, e outras que não se enquadram como inclusões diagnosticadas.

 

 

  • intervenção da escola nas situações de inclusão , ações da escola como um todo neste processo;

 O processo de como a escola intervem nas situações de inclusão é uma parceria entre os professores, onde se apegam mais ao lado afetivo, ao lado humano, trabalhando as necessidades basicas, tentando incluir os alunos dentro do ambiente escolar onde eles consegam interagir junto com os outros coelgas. Quanto a aprendizagem e avaliação, isso o currículo é flexível e é considerado  a evolução que o aluno apresentou do início do ano letivo até o final, o seu crescimento, a sua aprendizagem , o seu desenvolvimento.

 

 

  • outros pareceres do aluno , estudo do caso, trazer a caminhada do aluno nestes anos na escola, fazendo um levantamento junto aos pareceres do mesmo;

Estou tentando resgatar os boletins com os pareceres e conversar com as professoras que deram aula nos anos anteriores, mas isso requer tempo, e vontade de todos os envolvidos(é preciso um pouco de paciência).

 

 

  • o aluno não apresenta atendimento especializado pelo município? Dissestes que o aluno utilizava medicação, mas que não utiliza mais, e também que ele tem uma aprendizagem diferenciada. Como a escola procedeu durante estes anos com o mesmo? Gostaria que trouxesses maiores detalhes sobre a caminhada do aluno e as ações da escola a partir desta.

O Rafael não recebe atendimento especializado pelo município e não está usando medicação no momento.

Sua  aprendizagem é diferenciada , quer dizer é feita uma avaliação diferenciada para ele, os professores costumam avaliá-lo pelo o que ele faz no dia, e não por provas marcadas, mas sim pelas respostas dadas oralmente e pelos exercícios feitos, pelo interesse e participação.

Como está terminando o trimestre postarei o parecer que for dado a ele até o meio de junho.


07/05/09:Parte B)  ESTUDO DE CASO

 

Meu estudo de caso

 

O Rafael, nasceu de cesariana, foi criado pela avó e rejeitado pela mãe , porque era diferente dos outros filhos e das outras crianças. Hoje está com 19 anos (completará 20 em setembro ) e desde 1997 está matriculado na Escola, sua idade cronológica é diferente da idade mental, se identifica com a turma que está ( 7ª série) é imaturo, encontra-se numa fase que a sexualidade está aflorada, as vezes faz brincadeiras desagradáveis, mas se chamado atenção, sabe que está errado e pede desculpa, ou diz que vai parar, as vezes é bem inocente e deixa que os colegas façam brincadeiras desagradáveis com ele.Em 2002 recebeu um laudo  com o diagnóstico de DMM com déficit percepto-motor.

Ele escreve com letra bastão (todas maiúsculas e deitado com a cabeça sobre os braços apoiado na mesa, fala num tom de voz alto bem espaçadamente, gosta muito de conversar e contar o que acontece com ele. Consegue responder questões oralmente sobre o que aprendeu no dia, falando o que entendeu, mas não lembra se for questionado sobre o que foi falado na aula anterior.

Recebe auxílio dos colegas para responder as atividades e realizar os trabalhos, mesmo os que com consulta, é interessado, tenta ter seu caderno organizado.

A família do Rafael pertence  a uma classe social baixa, ele mora com os pais e dois irmãos, a mãe( 41) é doméstica, faz faxina e o pai(43) não tem emprego fixo, nenhum deles tem carteira assinada, os dois irmãos não trabalham , um tem 20 anos e outro tem 23 anos e um deles tem síndrome do pânico , ainda moram no pátio do terreno o outro irmão com a esposa em outra casa.

O Rafael conta que em casa gosta de escutar música e escrever, também olha TV , mas que prefere ir pra escola, gosta dos colegas. Morou com a avó até 2007 quando esta faleceu, ele conta que gostava de morar com ela, porque ela entendia ele , apesar de que com ela  ele brigava e ameaçava, dizia que ia bater nela, ele era agressivo, tinha que tomar remédio, mas hoje é mais calmo e não toma remédio, mas as vezes apanha porque faz fofoca e foge de casa, gosta de andar na rua sozinho e não diz pra onde vai.

 A última fez que foi no médico com a mãe,  na neurologista, a médica disse que ele não precisava tomar medicação, só se ficasse agressivo, e que ele aprendia diferente dos outros, a mãe não gostou e achou errado a escola ter aprovado ele, já que ele não aprende igual aos outros alunos. Em casa recebe atenção do irmão na hora de se arrumar pra ir para a escola, porque as vezes coloca as roupas do avesso ou rasgadas, também é o irmão que faz a sua barba, porque ele pode se machucar.  A mãe cozinha ou então a cunhada, ele não mexe no fogão.

 

obs.: abaixo na data de 29/04, postei um parecer do professor de matemática sobre o Rafael.


07/05/09: Parte A) ATENDIMENTOS

 

          No meu município temos o NAPPI , que tem 5 focos de atuação:

  • assessoria institucional (apoio às coordenações pedagógicas)
  • pesquisa e formação
  • atendimento terapêutico pedagógico nas áreas de psicologia, fisioterapia, fonoáudiologia psicopedagogia, trabalho com grupo de adolescentes
  • família: terapia familiar e grupos de família
  • AEE

     Na sede do NAPPI tem cerca de 200 atendimentos, mas a pessoa que forneceu os dados não soube especificar as especialidades, a maioria dos atendimentos é terapêutico- pedagógico.

    Temos quatro salas de recursos em escolas de diferentes zoneamentos, onde os alunos são atendidos em horários e dias marcados (atendimento de 1hora semanal).    Nessas salas trabalham professoras da escola, mas sob a coordenação do NAPPI.  Cada sala tem capacidade para atender 30 crianças com alguma deficiência. As crianças atendidas nas salas são primeiramente encaminhadas pelas escolas da rede municipal  ao NAPPI depois o NAPPI faz uma seleção e encaminha ao atendimento específico. Infelizmente o  número de encaminhamentos é bem maior do que o número de atendimentos que o município tem capacidade no momento.

 

  • Na minha escola temos 2 alunos(1FEM.e1 MASC.) sendo atendidos na sala de recursos, estes apresentam deficiências diagnosticadas (Down e def.fís.) e 3 alunos ( 2 MASC. e 1 FEM.)sendo atendidos no NAPPI com psicopedagogas. Também começou na escola que trabalho Paulo Beck ( primeira experiência do município) um grupo de terapia familiar, está semana será o 4º encontro, com presença do  NAPPI, assistente social, psicopedagoga , supervisão da escola e pais dos alunos(pais dos alunos dos 1º anos na primeira reunião foram convocados, vieram em massa, mas nas outras que foram convidados a participação foi mínima, apenas 2 compareceram, então neste 4º encontro o convite foi aberto para todos os pais dos alunos do Ensino Fundamental .


29/04/09 Parecer do professor de Matemática do Ra fael

            O aluno Rafael está acompanhando sua turma de forma satisfatória, dentro de suas limitações.

            Ele apresenta disposição em aprender os conteúdos desenvolvidos, porém necessita de um tempo maior para copiar e assimilar as atividades. Sua caligrafia é por vezes confusa e precisa de ajuda para organizar o conteúdo no caderno. Observa-se que ele consegue somar, subtrair, multiplicar e dividir de forma satisfatória cálculos que envolvam números inteiros (tanto negativos e positivos). Apresentou dificuldades em compreender números irracionais (raízes que não são quadrados perfeitos). Apresentou compreensão de extração de raízes exatas e também operações inversas às raizes (potências).

            O conteúdo de sétima série irá exigir esforço e dedicação do aluno Rafael.

            Percebe-se que Rafael possui dificuldades porém está se esforçando para acompanhar sua turma. Na introdução ao cálculo algébrico está compreendendo a utilização de letras  na matemática e associações (propriedade distributiva). Mostra sinais em aula de que está estudando fora do tempo escolar, ou tendo ajuda de familiares devido a sua evolução, principalmente nas operações envolvendo raízes.


26/04/09

Observando o aluno Rafael na escola , percebi como os anos passam depressa, porque em 1999 dei aula para ele na 1ª série, lembro que era uma turma muito difícil, tinha aluno que fugia, outro que só chorava, um que pulava a janela, um que não falava direito, um muito falante e o Rafael, que pegava a tesoura e cortava os cabelos das  meninas.

Ele era muito rápido, levantava da cadeira e sem que as colegas notassem passava por trás e cortava as pontas dos cabelos, também cuspia no chão e não conseguia ficar na sala de aula, gritava ou ria muito alto.

No primeiro trimestre deste ano de 1999, pedi pra trocar de turma, porque não estava dando conta e não sabia como lidar com todas as inclusões que tinha na minha sala, então foi trabalhar com uma quinta série(na época ainda podia) .

Neste ano como nos de 1997 e 1998 ,a avó do Rafael tirou ele da escola, disse que não o levaria mais, porque ele era diferente.

O Rafael foi criado pela avó, mas hoje ela é falecida, ela sempre cuidou muito dele e procurou assistência médica .

Ele é um aluno dedicado , que quer passar de ano, que se esforça, mas que tem muita dificuldade com cálculos e raciocínio lógico, também não gosta de exercícios diferentes, prefere o que já sabe. Ele lê e escreve perfeitamente, gosta muito de conversar, mas sua fala é diferente, bem pausada.


20/04/09

Na quinta-feira dia 16/04/09 o aluno Rafael foi com sua turma até o EVAM (Espaço Virtual de Aprendizagem Multimídia), junto com seu grupo realizou uma construção de imagens no software KId Pix(Positivo), durante o tempo que esteve no laboratório fez brincadeiras, falou alto, chamou a atenção, mas trabalhou no grupo,

O Rafael tem 19 anos(completará20 em setembro ) e desde 1997 está matriculado na Escola, sua idade cronológica parece diferente da idade mental, é imaturo, encontra-se numa fase que a sexualidade está aflorada, faz brincadeiras desagradáveis.

Em 2002 recebeu um laudo  com o diagnóstico de DMM com déficit percepto-motor.

Ano Idade Série  
1997 7 evadiu
1998 8 evadiu
1999 9 evadiu
2000 10 A
2001 11 evadiu
2002 12 R
2003 13 A
2004 14 A
2005 15 A
2006 16 A
2007 17 R(Mat.)
2008 18 A
2009 19 em curso

As aprovações do Rafael nas série finais do ensino fundamental, foram sempre por conselho .


06/04/09 - Atividade 2

Trabalho em uma escola de periferia no município de São Leopoldo e neste ano de 2009, como nos outros temos muitos casos de alunos com necessidade de Atendimento Educacional Especializado. Muitos de nossos alunos não aparenta precisar de atendimento especial, os pais não os levam em médico especializado, aparentemente são crianças “normais”, mas que por diferentes motivos não conseguem avançar na sua aprendizagem.

Temos neste ano uma aluna com Síndrome de Down ( 2º ano), um aluno do 1º ano que é atendido no contra turno na APAE, um aluno cadeirante na 5ª série, 1 aluno com DMM na 7ª série (este será  meu aluno selecionado) e  um aluno adulto com um retardo mental no EJA, esses são os diagnosticados. Temos outras inclusões:que são crianças abusadas, que passam necessidades, que vivem na rua,  que tem agressividade excessiva, que são portadoras do vírus da AIDS , que são filhos de pais viciados em drogas, que convivem com pessoas que usam drogas, que usam drogas, que são apáticos, que não falam na escola,que são depressivos, hiperativos,  dentre outras.

 


27/03/09

Inicio meu dossiê com uma postagem do meu Blog pessoal de 2006!!!!  em 15/12/06

Não tem preço

Quero repartir com todos o que aconteceu hoje.

Na minha Escola eu e mais algumas colegas proporcionamos uma aula diferente para os alunos, com jogos , videokê, pintura de rosto, teatro, histórias, Papai - Noel e o aluguel de uma cama-elástica.

Infelizmente a atividade não fui com todos as turmas, não houve envolvimento dos outros professores, mas na hora do recreio proporcionamos para os alunos a cama-elática e como temos um aluno cadeirante, vi ele olhando colocando a mãozinha na cama, sentindo o embalo, ele não mexe mãos nem pernas, só com ajuda. Então quando terminou o recreio fui até ele e perguntei se ele queria ir na cama-elástica, ele me olhou e disse:

- Se a minha professora deixar.

Pedi para a professora e ela deixou, fui com ele e com a enfermeira que o auxilia na sala , porque ele usa um computador, o colocamos na cama , então subi, ela pegou ele no colo , ele deitou e rolou e aí ficou deitado , só esperando, expliquei que eu ia pular e ele também. Foi maravilhoso ver o brilho dos olhos dele, nada paga a felicidade que ele sentiu, ele gritava, se mexia, vibrava, e quando eu dizia que ele ia pular mais alto, ele ficava esperando e a sensação que dava é que ele estava realizado, se sentindo muito FELIZ, podendo fazer o mesmo que seus colegas.

 

Hoje esse  aluno está na quinta-série, dou aula pra ele no EVAM (Espaço Virtual de Aprendizagem Multimídia), ele é muito querido por todos na escola, seus colegas o auxiliam bastante e os professores procuram atendê-lo da melhor forma possível. Para ele poder frequentar o EVAM precisa da ajuda de pelo menos 3 adultos, porque a sala fica no segundo andar e quando o prédio foi construído não foi feito rampa, quem o projetou nem pensou na acessibilidade ou em atendimento de alunos com necessidades especiais.
Ele ganhou um computador novo no ano passado, com um teclado  onde as teclas não são tão sensíveis, porque ele fica batendo nelas com a mão fechada, para  realizar as atividades que são trazidas pelos professores em CD ou Pen-drive; neste ano ganhou uma mesa com rodinhas, para poder levar o computador para as diferentes salas temáticas.
O W........ é um excelente ouvinte,  escuta as explicações e coloca suas opiniões.
De 2006 pra cá percebo o quanto ele cresceu, antes era  quieto, hoje interage com os colegas, brinca e até faz "bagunça".
Nesta semana dia 23/03, recebeu novamente um cuidador (já é o terceiro, mas o primeiro masculino), que o auxilia nas atividades e nas suas necessidades, mas este cuidador também presta assistência a nossa aluna do 2º ano com Síndrome de Down.(27/03/09)
   

 

Comments (8)

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lenise.pead@... said

at 12:19 pm on Apr 21, 2009

Marta, o teu dossiê de inclusão está riquíssimo. É possivel observar que és um apessoa que gosta de criar blogs e expor tua opinião e sentimentos nestes espaços. Eu já tinha lido as tuas primeiras postagens, mas combinamos de deixar os comentários somente no final da Unidade 2, devido as dificuldades de várias alunas em fazer os wikis e tudo o mais que aconteceu.
A nossa preocupação ao enviar a nota de esclarecimento é de deixar claro que as alunas NÃO utilizem parentes ou amigos próximos no estudo de caso e, com isso, provocar desvios do nosso objetivo maior, nessa interdisciplina que é debatermos sobre práticas pedagógicas.
O teu dossiê segue na linha proposta, não há problemas em utilizar fotos pessoais e rinformações para enriquecer o teu dossiê, o que queremos evitar é apresentarmos reflexões pedagógicas a partir de parentes e amigos. OK?
Continue assim!
Parabéns!
profª Lenise

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Letícia Schmarczek Figueiredo said

at 2:51 pm on May 23, 2009

Olá, Marta! Teu estudo de caso está maravilhoso. Teu dossiê dá a possibilidade do leitor visualizar o caso dentro do contexto da rede e da escola em que está inserido. Senti falta apenas de maiores detalhes sobre o trabalho da rede em relação aos casos de inclusão na escola, a política de inclusão dentro do ambiente escolar.
Pouco falou da intervenção da escola neste sentido, apesar de iniciar teu dossiê relatando uma situação de inclusão junto a um aluno cadeirante. Referistes os cuidadores que estão na escola para auxiliar os alunos de inclusão, mas senti falta de maiores informações sobre outras ações da escola como um todo neste processo.
Achei bastante interessante a postagem de um parecer do aluno e penso que poderias complementar o teu trabalho trazendo a caminhada do aluno nestes anos na escola, fazendo um levantamento junto aos pareceres do mesmo.
O aluno não apresenta atendimento especializado pelo município? Dissestes que o aluno utilizava medicação, mas que não utiliza mais, e também que ele tem uma aprendizagem diferenciada. Como a escola procedeu durante estes anos com o mesmo? Gostaria que trouxesses maiores detalhes sobre a caminhada do aluno e as ações da escola a partir desta.

Abraços,
Tutora Letícia Figueiredo ;-)

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lenise.pead@... said

at 3:55 pm on Jun 14, 2009

Muito bem, Marta! As complementações que fizeste atendem aos objetivos propostos em nossa interdisciplina qualificando a atividade referente ao estudo de caso(Parte B- Unidade 3) como plenamente realizada. Parabéns!
Profª Lenise

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Gi said

at 10:29 am on Jun 23, 2009

Olá Marta... Tuas complementações acerca do estudo de caso apresenta dados significativos sobre as relações em sala de aula do aluno em questão, contemplando os
objetivos propostos para esta unidade. Muito bem! Continues desenvolvendo com seriedade e comprometimento a temática em estudo. Qualquer dúvida entre em contato. Abs, Gi

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Gi said

at 7:48 pm on Jul 3, 2009

Olá Marta! Reli teu estudo de caso e percebi que apresenta dados significativos sobre o sujeito escolhido por você, dando a possibilidade de visualizarmos o caso dentro do contexto da rede e da escola em que está inserido. No entanto senti falta de alguns detalhes, referentes à:
4.Quais as práticas pedagógicas inclusivas possíveis de serem efetivadas em sala de aula com o sujeito escolhido por você para o estudo de caso?

5.De que maneira(s) a presença de alunos com NEEs no ensino comum pode contribuir para a facilitação das aprendizagens da turma como um todo?

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Gi said

at 7:49 pm on Jul 3, 2009

6. Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?

7. Quais as contradições em relação ao que foi observado?

8.Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)? Esta questão observei que já abordaste.

9. Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?

LEGENDA

As questões em marrom, referem-se a unidade 6 – De 15 a 28/06
As questões em verde, referem-se a unidade 7- De 25/06 a 05/07

Terminado isso, estarás com todas as unidades em dia. O prazo final de postagem é 06/07 e as postagens devem ser feitas na mesma página do seu estudo de caso.

Espero ter me feito clara. Qualquer dúvida entre em contato. Abs ,Gi

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lenise.pead@... said

at 9:23 am on Jul 5, 2009

Marta :
Atingiste plenamente os objetivos propostos nas Unidades de Trabalho 6 e 7, pois apresentaste dados resultantes da tua pesquisa junto ao aluno escolhido relacionando com os referenciais teóricos desenvolvidos ao longo da nossa interdisciplina. Demonstras reflexão unindo teoria e prática em um texto claro e bem fundamentado.
O teu dossiê de inclusão reflete o teu percurso de produção intelectual.
Parabéns!
Profª Lenise

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Gi said

at 12:44 pm on Jul 7, 2009

Marta... Teus relatos contemplam os objetivos propostos neste eixo!
Para refletir:
“Certamente, um professor que engendra e participa da caminhada do saber "com"seus alunos consegue entender melhor as dificuldades e as possibilidades de cada um e provocar a construção do conhecimento com maior adequação (MANTOAN, 2003, p. 77).”

Um abraço, bom final de semestre e até o próximo! Gi

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